Se a estação Sé do Metropolitano de São Paulo sofresse de algo parecido, a cobertura da mídia e dos expoentes políticos atuais seria, com certeza, muito mais incisiva e direta, com duras críticas ao suposto acontecido. Comparando o porte das estações e as conexões aos sistemas de transportes que as mesmas proporcionam, não consigo entender como isso não acontece quando uma estação da CPTM passa por isso.
A estação Brás da CPTM foi reconstruída nos últimos anos, ampliada e completamente integrada ao Metrô. Nem todo esse trabalho de engenharia, e nem mesmo o próprio Centro de Controle Operacional da CPTM estar instalado na estação, impediram que a mesma ficasse exposta aos fatores climáticos da cidade.
Muitos alegam que, com as intensas chuvas que castigaram a Grande São Paulo no início do ano, nada poderia ser feito para impedir o caos.
Infelizmente, acredito que essa seja a mentalidade imposta a nós de conformismo, existente desde o tempo do Brasil Colônia, aquela na qual nos, peões e pobres mortais, temos que aceitar passivamente tudo o que acontece. Agora, vamos fazer um paralelo com as intensas nevascas que impediram o Eurostar, o trem que faz a travessia entre a Inglaterra e a França, de funcionar adequadamente.
Nesta reportagem da BBC, vemos claramente a crítica à Eurostar por não saber lidar adequadamente com os problemas causados pela neve. Para ser mais direto, traduzo e reproduzo aqui um trecho crucial do texto:
"O relatório diz que o serviço de trens "não passou por preparação suficiente para suportar o clima" para lidar com condições "extremamente severas" de tempo e temperatura."
Sendo assim, não consigo entender como uma empresa do porte da CPTM, sabendo que opera em uma cidade de clima tropical, e ainda, quanto teve a chance de resolver o problema em uma de suas estações, não fez nada. Observem a construção do pátio Tamanduateí do Metrô. A região aonde ele foi construída é extremamente suscetível à enchentes, ao lado do rio, e o mesmo foi ELEVADO cerca de 4 METROS do nível original do terreno. Com certeza, quando os pobres coitados usuários da CPTM estiverem ilhados em seus trens e estações, a linha verde do Metrô continuará a operar normalmente.
Enquanto não existir planejamento, muito menos ações efetivas que garantam o funcionamento do transporte e do sistema como um todo, resta esperar que algum dia nossos líderes e representantes passem a enxergar o transporte de subúrbio assim como favorecem o transporte individual e obras viárias grandiosas. Vejo que, com a situação atual, sofreremos por muito tempo, e da pior maneira possível, quando as torneirinhas das nuvens forem abertas novamente.